Na sacada do seu apartamento, obersevava o vai-e-vem das pessoas na rua. Tão pequenas, tão indefesas, mas que ainda se julgam melhores que os outros.
Sempre odiou isso nas pessoas. Elas se acham tão superiores, e na maior parte das vezes não passam de um bando de merdas.
Pra que viver nessas condições?
Ele não sabia. Não sabia mais o sentido de tudo aquilo ao seu redor.
O sol iluminava seu rosto pálido cheio de angústia. O vento bagunçava seu cabelo com delicadeza.
Passou a vida inteira estudando e trabalhando para se tornar alguém. Pra quê?
Para se tornar mais um qualquer nessa sociedade hipócrita? Não...ele não nasceu pra isso.
Qual seria o sentido de viver em um apartamento vazio, se não vai fazer diferença nenhuma?
Perguntas, uma atrás da outra invadiam sua mente. Sem perceber, deu um passo.
Fechou os olhos, e sentiu o calor do sol no seu rosto.
Os sons lá em baixo se misturavam, tonando-se quase indecifráveis.
Pensou que não tinha mais nada a perder. Colocou um pé pra fora da sacada.
"Então é isso..."Sentiu algo em sua mão, e colocou seu pé no chão novamente.
Abriu os olhos e levantou a mão com delicadeza.
Olhou mais perto, e viu aquelas lindas cores que se misturavam como mágica naquelas asas tão grandes e tão pequenas.
Nunca tinha visto uma borboleta tão de perto.
Nunca tinha visto lindas cores tão de perto.
De repente, aquela tristeza foi desaparecendo, dando lugar a um sentimento estranho.
Estava feliz e triste ao mesmo tempo.
Como pôde pensar coisas horríveis sobre a vida?
Ele tinha uma vida alí, bem na palma da sua mão.
Pensou que talvez, mas só talvez, aquela fosse a razão da sua vida.
Que ficamos tão preocupados com as desgraças e esquecemos o que o mundo
ainda tem de bonito.
Decidiu que daquele momento em diante ele não seria mais um hipócrita melancólico que fica se lamentando em vez fazer alguma coisa.
Se ele tivesse pulado, seria mais um pobre coitado que se matou.
Mais um pobre coitado de desistiu da vida, pois estava cansado de tantos obstáculos.
Vivo, ele pode mudar o mundo, junto com as pessoas que um dia também acordaram pra vida.
Faça diferença.